sexta-feira, 9 de abril de 2010

Prefeitura vai mudar central de triagem de onde meninos fugiram

‘Vão continuar cometendo delitos’, diz conselheiro tutelar.
Legislação não obriga crianças a ficarem em abrigos.

Alícia Uchôa Do G1, no Rio


A Prefeitura do Rio pretende mudar de local, até o fim do ano, a central de triagem de onde os meninos de 9 anos, que arrombaram um carro na Zona Sul do Rio, fugiram algumas horas após serem acolhidos.

“Vamos sair da Carioca para a Rua Benedito Hipólito, num prédio de 2 andares, em instalações maiores, onde é possível oferecer mais conforto e segurança aos meninos. Precisamos de um lugar em que eles queiram ficar”, disse o Secretário municipal de Assistência Social, Fernando William, que afirma que a mudança já estava prevista antes do episódio.

Segundo ele, a intenção é transformá-los em locais mais agradáveis e investir em famílias acolhedoras, que recebem uma ajuda do governo para hospedá-las. “A ideia é, cada vez mais, desinstitucionalizar o serviço”, explicou.

De acordo com a secretaria, no momento da fuga, havia na instituição quatro educadores e um porteiro de plantão. Mas, mesmo assim, os meninos conseguiram pular o muro.

Vaivém

A constante entrada e saída de crianças e a reincidência delas em delitos é cada vez mais uma realidade nos conselhos tutelares do município do Rio. O sistema é criticado por delegados, conselheiros tutelares e pessoas que trabalham em projetos sociais.

Juridicamente, menores de 12 anos são inimputáveis e, por isso, não podem ser presos ou obrigados a ficar no local. “Eles não estão presos e vão continuar cometendo delitos e dificultando nosso encontro com as famílias”, explica o conselheiro tutelar Sérgio Correa.

Segundo um delegado, que não quis se identificar, é comum os menores serem levados para os abrigos e, quando os policiais que o pegaram voltam aos seus postos de trabalho, já os encontram de volta, no mesmo lugar.

“Precisaríamos de muitos mais conselhos tutelares. A maioria sai de casa para ‘trabalhar’, a mando dos pais, e voltam para casa à noite, com o dinheiro”, pondera a artista plástica Ivone Bezerra de Mello, presidente da ONG Projeto Uerê, na favela da Maré.

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